Um centro de inspiração no centrão de BH

Desencaixotar emoções, recuperar sentidos, começa assim. Minhas variações e inspirações sempre convergem para o mesmo tema: a arte da rotina, os espaços e as imagens que comunicam. Nossa memória é feita por cheiros, sons e no meu caso, principalmente pelo que vejo. Isso acontece por causa da fotografia: porque ela sempre me faz lembrar de uma felicidade que foi efêmera e ali, naquele papel ou naquela tela, é eterna. É como já disse nos outros textos, a visão que carrega o sotaque das nossas origens. Tendo dito isso, falo hoje de um espaço que fez e agora faz, de outra maneira, parte da minha rotina: a rua São Paulo, esquina com Santos Dumont, no centro de Belo Horizonte. Ali na cidade, como diziam os meus conterrâneos de Contagem. Sempre vi muita coisa por ali, frequentei bastante porquê era onde passava o ônibus que me levava para casa, o famoso Regina.

Casa dotArt

Sempre tinha uma barraquinha de coco frito e pipoca que deixava aquele cheiro bem doce no ar. Tinha muita gente, muitas lojas abertas, muito carro, muita moto, muito ônibus e muita gente. Muita informação que quase cega a inspiração, nunca tinha pensado muito naquele espaço, era um lugar até meio triste, era difícil porque eu sempre só queria chegar em casa, era um momento e um lugar de passagem e não de presente.

Aí o tempo passa, descubro um lançamento de uma revista, era a 3ª edição da revista Ernesto, que tinha como título “Como reativar aquilo que não deveria ter sido esquecido”. Era ali e de repente tudo fez sentido, descubro que tem ali, logo ali,  o ponto de ônibus lotado de que falei e todo aquele contexto. Um prédio que na época era comercial e que agora é um espaço de arte, poesia em ser e pensar, em textos, palavras e imagens. Descubro o Centro de Inspiração Ernesto, o espaço. A revista, eu conheci antes, e então, o que eu já achava maravilhoso no papel, ficou ainda mais inspirador quando ocupou um prédio abandonado de BH. O desabandono é bonito de ver. Fiquei feliz. E pela primeira vez eu vivi naquele espaço, aquele lugar, aquela rua e com aquelas experiências e significados.

Links legais

1. BH ganhou mais um espaço cultural bem no centrão da cidade

2. Guilherme Kramer reinaugurando, com a 3º edição, as atividades do Edifício Almeida. Antes, um prédio comercial. Agora, um Centro de Inspiração.

3. Assim lançamos a Edição 4. Em breve, chega a Edição 5!

4. Página do Facebook

5. Créditos da imagem: Flávia Neves

 

Flávia Neves

Flávia Neves

Flávia Neves é formada em licenciatura em Artes Visuais na UEMG. Trabalhou no museu Inhotim e possui experiência com mediação em arte contemporânea. Acredita que imagens são palavras que nos faltaram e tem a fotografia como forma de colecionar momentos, uma coletânea de referências e inspirações. Hoje, trabalha com Design inclusivo, especificamente no projeto do Librário, o jogo que ensina Libras, a língua visual motora dos surdos. Busca levar os conceitos das artes para sala de aula de maneira lúdica e divertida.

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