Procurando Dory

Pequena participação do meu priminho André, que me indicou este filme <3

Quem me conhece sabe que sou simplesmente apaixonado pela Pixar, estúdio que nos trouxe Toy Story e que hoje pertence à Disney. E a razão disso é que, além do estúdio proporcionar entretenimento e respeitar a inteligência das crianças que assistem ao filme, os adultos também interagem e se emocionam, pois os personagens possuem densidade, personalidade, e isso cria momentos únicos na tela. Isso sem falar do esmero estético das produções. Entretanto, ao sair de casa para assistir Procurando Dory, continuação do meu amado Procurando Nemo, devo confessar que a sala de cinema, mais do que o filme em si, foi o que roubou minha atenção.

O filme é ruim? Não, longe disso. O problema é que apesar das cenas serem divertidas, o filme fica em águas rasas, e salvo poucas exceções, ele não ganha profundidade, além de culminar em uma cena bem absurda no final da projeção. Me corrijo: divertida, mas absurda.

Um resuminho. Dory, juntamente com Marlin e Nemo, cruza o oceano na esperança de encontrar seus pais. No caminho ela se perde dos companheiros, mas dá continuidade à sua jornada baseando-se nas lembranças de sua falha memória. Fim do resuminho.

Algo que amei. Há uma cena no filme em que Dory fica sozinha na tela. A imagem é escura sem ser sombria, mas possui um peso dramático enorme. Foi um dos poucos momentos em que me recostei e pensei: ISSO é Pixar. Todos na sala fizeram silêncio e, só após alguns instantes, ouvi uma criança chorando e outra perguntando: “Pai, ela está sozinha?” Pensei em mim respondendo, “Sim, ela está, filho. E solidão é algo enorme e denso dentro de nós. Você consegue sentir, né?” Fiquei encantado ao ver crianças e adultos segurarem a respiração e sentirem, e entenderem juntos, o quanto pode ser triste esquecer e ser esquecido.

Havia um sujeito ao meu lado que reagia escandalosamente a qualquer piadinha do filme, e comentava todas as partes, e criticava as pessoas da sala, e desde que se sentou se sentiu na obrigação de me explicar que não estava sozinho. Deixei ele de lado e foquei minha atenção no garoto à direita. Desde a abertura o garotinho já dançava com a música, ficava tenso nos momentos em que Dory se sentia perdida, e chorou numa das cenas ao final. Enquanto isso, seu pai conversava com outro pai ao lado, explicando como burlar o sistema do cinema para pagar meia.

Mesmo com seus tropeços, o filme fala de solidão, família, amizade, esquecimento, criatividade,  incapacidade, medo… E sobre medo, sobre nossa dificuldade de nos lançarmos ao novo, de nos adaptarmos às situações inesperadas e/ou menos desejadas, ele dá uma aula, e desde o short film de abertura temos uma amostra magnífica disso (para quem não sabe, antes de todo filme da Pixar há um curta, com história totalmente isolada do longa, e amei este).

Inté, nos vemos na próxima sessão 😉

Obs. Eu também dancei junto com o garotinho em todas as músicas ^^

Informação complementar

1. A imagem deste post é de autoria de Kuba Bożanowski via Visualhunt.com / CC BY.

Pedro Daldegan

Pedro Daldegan

Mestre em matemática pela UFMG. Atualmente é aluno de doutorado na mesma instituição, com ênfase em álgebra. Quando não está no cinema ou matematicando, é leitor, cozinheiro e poeta. Há boatos de que também desenha, mas só temos conhecimento dos seus deformados bonecos de palitinho.

2 comentários em “Procurando Dory

  • 9 de agosto de 2016 a 15:46
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    O medo é realmente algo só sabemos qdo passamos por ele.

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  • 21 de setembro de 2016 a 22:22
    Permalink

    Oi pedro aqui é a julia irmã do André
    Amei o filme!!!!!
    beijos:juju sua prima!

    Responder
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