Alma gêmea, como encontrar a sua?

Uma estratégia matemática para aumentar suas chances de encontrar sua alma gêmea

Tantas e tantas vezes desejei uma fórmula para solucionar problemas amorosos. Pois é, tenho certeza que você também já imaginou algo parecido. Talvez não uma fórmula, mas sim um botão on/off capaz de desligar a sofrência de um amor não correspondido, de um rompimento tumultuado, de um par de chifres ou de qualquer outro problema ao qual, se sujeita, quem “decidiu” amar. Que tal a oportunidade de deletar o ou a infeliz da memória? A possibilidade virou até tema de filme, como sugere o curioso Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Então, este desejo eu sei que você já teve! Se não foi nos últimos 4 anos, foi lá nos primórdios da sua vida amorosa.

Enfim, o fato é que sofremos por amor. E a cada trupicão amoroso a gente se pergunta: será que vou encontrar um cara legal? Uma mina massa? Um boy magia? E este questionamento vem naturalmente acompanhado por outros: existe alguém ideal para mim? Como posso encontrar minha alma gêmea? Vou passar o dia dos namorados sozinho para sempre?

O que a matemática tem a dizer a respeito da busca pelo parceiro ideal?

Bem, a princípio nada, pois a matemática não se importa com a nossa vida ruim. Contudo, é possível utilizá-la para adotar uma estratégia de busca pela pessoa amada matematicamente eficaz! Na verdade, prova-se a existência de uma estratégia capaz de fornecer a maior probabilidade de acerto! Até lhe adianto o número: quase 40%! É um número bem alto, se eu te lembrar que o índice de divórcios é de mais de 50%?

Ora, uma estratégia simples é você se relacionar com todas as pessoas possíveis, experimentar tudo/todos, atribuir um número a cada uma delas e depois correr para a melhor. Porém, é gente demais, certo? O escritor americano Charles Bukowski colocou muito bem:

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.Charles Bukowski

A gente não conhece tantas pessoas assim. Além do mais, pessoas são rancorosas, não é mesmo? Portanto, pode ser que seu par ideal não lhe aceite de volta. E isso nem é tão raro. Acontece a cada meia-hora. Segundo meus cálculos, enquanto você lê este texto alguém acaba quebrar a cara tentando voltar com o(a) ex que dispensou semana passada.

A estratégia matemática da alma gêmea

Para descrever a estratégia é preciso, antes, fazer algumas convenções. Vamos assumir que se você terminou um relacionamento não vale implorar para voltar, ok? Dispensou a gata molhada? O Brad Pitt? O boy magia? Contente-se com o feijão com arroz, caso tenha medo de morrer sozinho(a). É preciso também decidir por quantos namoros e pessoas você está disposto(a) a passar. 10? 50? 100? Devo observar o óbvio: quanto maior o número, melhor! A título de exemplo, vamos usar o número 11 para facilitar as contas. Então, digamos que você esteja disposto(a) a namorar até 11 vezes para escolher o melhor! Daí é só seguir a receita:

1. Namore o primeiro. Fique tempo suficiente para avaliá-lo, atribua-lhe um número de 1 a 10 e em seguida termine o namoro;

2. Repita o processo com os próximos três namoros e descarte todos eles;

3. Guarde o maior valor que você atribuiu aos seus quatro primeiros namorados;

4. Fique com o primeiro que aparecer melhor que os quatro primeiros namorados!

Eu sei, eu sei, esse lance de atribuir números e descartar pessoas não é legal. Mas lembre-se, é só matemática, ok?

Seguindo esta estratégia, você escolherá o melhor namorado entre os 11 com uma probabilidade de aproximadamente 33%. E se você decidir experimentar 100, essa probabilidade fica próxima de 37%! É alto ou não é?

Filmes com visões mais “realistas” sobre o amor

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Blue Valentine (Namorados para sempre)

Na próxima página do post você confere outros comentários a respeito do campo da matemática que estuda problemas parecidos com o problema da alma gêmea. Não deixe de ler! 

Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Doutor em matemática pela UFMG, mas gosta de uma porção de outras coisas: linguagens de programação, ciência, literatura, poesia, aquarela e se imaginar em mundos distantes. Tem compulsão por comprar livros e realizou o sonho da máquina de café expresso própria graças à namorada. Ficou conhecido mundialmente como o primeiro matemático a marcar 150 pontos em uma única partida de peteca. Nas horas vagas estuda probabilidade e é professor.

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