Cabo Polonio: a vila dos hippies capitalistas perdida no Uruguai

Cabo Polonio é um povoado muito peculiar na costa do Uruguai. Habitado por muitos hippies, artesãos e pescadores, não tem luz elétrica, asfalto ou internet. Também é uma reserva nacional protegida por causa da grande quantidade de leões marinhos que habitam sua costa e recebe grande número de turistas em busca da tranquilidade das suas praias e do estilo de vida que predomina na vila.

Para começar, nenhum veículo particular pode ir até lá. Da entrada do parque até as casas, só se chega usando o caminhão que é disponibilizado para os turistas. Depois de meia hora no meio de muitas dunas, você já avista as praias isoladas. Um farol completa a paisagem encantadora. As casinhas muito simples, os gramados e os pequenos restaurantes dão um ar especial para a vila. A primeira impressão é ótima, parece um mundo intocado.

É possível chegar bem pertinho das pedras onde ficam os leões marinhos, ou subir os 132 degraus até o topo do farol, onde o vento pode ser tão forte a ponto de você não conseguir ficar lá em cima por muito tempo! Tudo muito lindo!

Mas aí, quando você começa a conhecer de verdade o vilarejo, uma segunda impressão se forma (pelo menos aconteceu comigo!). Quando você tenta tomar uma jarra de suco de laranja em qualquer restaurante, 50 reais! Oi? Pelo visto, os hippies que habitam esta maravilhosa praia vivem da exploração dos turistas. Nosso hostel, que foi responsável por grande parte da experiência ruim, foi caríssimo (R$110 em 2015), com nada a oferecer, camas desconfortáveis e mosquitos, MUITOS mosquitos por todos os lados. Deixe para procurar hospedagem quando chegar lá, pois poucas opções aparecem na internet, apesar do grande número de hostels e pousadas disponíveis!

Passeando mais pela vila você começa a perceber outros problemas. O descaso dos moradores com o lixo, muita coisa entulhada atrás das casas, esgoto sendo despejado sem nenhum cuidado. Fedia tanto que nem cogitamos cozinhar na “cozinha” do nosso hostel.  Nas praias, ainda aparecem as carcaças dos leões marinhos mortos que ficam apodrecendo na areia.

 


Mesmo assim, acredite, vale a visita! O local tem um ar diferente e não deixa de ser bonito, principalmente com lua cheia! Encerramos a noite que passamos lá em um luau, ao som de Caetano, na voz de um verdadeiro hippie que carregava só seu violão e uma camisa. Mas fica uma dica: a 10 km de lá existe outra cidade, chamada Valizas. Não é tão isolada, existe luz e carros, mas ainda assim tem aquele ar de interior aconchegante. E é possível fazer uma caminhada indo de Cabo Polonio para lá, ou o contrário! O caminho é lindo e a praia de Valizas é muito gostosa e mais barata!

Apesar de todos os problemas citados e da minha não tão boa experiência, Cabo Polonio é muito procurada pelos turistas e tem sim seu charme. Dizem até que Jorge Drexler, compositor e cantor uruguaio, se inspirou na vila para fazer a sua música 12 segundos de oscuridad:

“Un faro quieto nada sería
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad”.

Confira e se anime a conhecê-la!

Marina Muniz

Marina Muniz

Formada em Matemática, mestre em Estatística e professora no ensino superior, trabalha o ano todo para juntar dinheiro para as suas viagens! Gosta de fazer intercâmbios, aprender outras línguas, experimentar comidas diferentes e conhecer pessoas de outros cantos do mundo. Também gosta de cachoeiras, trekkings, cinema, livros e música brasileira.

3 comentários em “Cabo Polonio: a vila dos hippies capitalistas perdida no Uruguai

  • 7 de junho de 2016 a 01:03
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    Boa noite, Marina!
    Pelo que li, foram dois extremos muito marcantes, o primeiro pela beleza e o segundo pelo descaso.
    Vocês chegaram a questionar os moradores sobre essa falta de consciência ecológica e o quão incômoda era aquela situação para eles ou sobre as possibilidades de melhorias por meio de ajuda de programas? Vi em uma pesquisa que Cabo Polônio é protegida e declarada Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO, mas que pelo visto não tem um acompanhamento prático.
    Quanto aos preços abusivos, infelizmente acontece em quase todos os lugares…sempre peço desconto, mesmo com as raras chances de sucesso. Sem contar os que agem de má fé, como uma vez que peguei um táxi na Argentina e observei que em certo momento o taxímetro começou a girar desproporcionalmente, sorte que vi e chamei a atenção do motorista na hora.
    Muito bacana este blog, sempre apresentando bons textos!

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    • Marina Muniz
      7 de junho de 2016 a 16:16
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      Olá Arlete! Se você pesquisar sobre os relatos de outras pessoas que também viajaram até lá, vai ver que quase ninguém teve esta impressão do local. Foi realmente uma experiência minha, talvez pelo local onde eu me hospedei e por ter passeado um pouco com o olhar mais atento a estes pontos que foram citados. Eu pensei que era mais uma comunidade autossustentável, talvez por isto a decepção neste ponto, entende? Acho que foram as minhas expectativas. Quanto aos preços, sabemos sim que isto é comum em vários lugares turísticos, mas o que mais me surpreendeu foi o fato de serem praticados por hippies! Eu esperava preços caros, pelo local ser isolado, mas mais justos. Além disto, tivemos outras experiências ruins. Por exemplo, uma amiga queria comprar um colar de um dos hippies e no dia anterior o preço era um. Quando voltamos e ele viu que ela estava interessada, dobrou o preço no dia seguinte. Não chegamos a comentar sobre estes fatos com nenhum morador local, pois só ficamos lá uma tarde e uma noite e na manhã seguinte, que foi quando me dei conta da maioria destas questões, fomos para a praia de Valizas ao lado. Mas, apesar disto, como já disse, o pessoal tem um clima legal e vale a pena conhecer!

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  • 9 de junho de 2016 a 13:30
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    Boa tarde, Marina!
    Compreendi o seu argumento…eu só fiz os questionamentos, porque geralmente as pessoas relatam os pontos negativos mas não pesquisam para ver o que levou àquela situação,e que neste caso seria realmente inviável pelo pouco tempo que vocês ficaram no local. Quanto aos “hippies” capitalistas, é realmente surpreendente e muito contraditório. Rsrs…
    E sim, quando tiver oportunidade, vou lá conhecer. 🙂

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