Brasileiros no exterior: Peru

Sobre a entrevistada: Thaís Botelho é aluna do curso de Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais e trabalha com construção de roteiros turísticos.

SQS – Quanto tempo você morou no Peru?
Thaís – Morei em Lima, capital do Peru, por dois semestres.

S -O que te levou a buscar uma vida (ou experiência) fora do Brasil?
T –Sempre gostei de conhecer novas culturas e viajar, além disso, fazer um intercâmbio era algo que no futuro poderia fazer diferença no meu currículo, pelo fato de falar fluentemente outro idioma e também por ser traduzido na capacidade de se adaptar à diversas situações.

S -Qual foi sua principal atividade no Peru?
T –Morei em Lima para realizar uma estância acadêmica na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, reconhecida por ser a universidade mais antiga da América.

S -Você sentiu saudades do Brasil? Se sim, o que mais fazia falta nestes momentos?
T –Não sei se estaria correto dizer que eu senti falta do Brasil, porque estaria incluindo também os pontos negativos que não me agradam no país. Mas senti falta da minha família, falta dos meus amigos, da UFMG (algo que eu não pensava sentir) e da comida, senti muito falta da comida.

S -Quais foram as dificuldades que você encontrou vivendo no Peru?
T –A primeira dificuldade que eu senti foi me adaptar ao idioma e a segunda me adaptar à comida, como disse anteriormente, senti muita falta da comida brasileira (ainda que muitos pensam que não é algo especial). Mas a maior dificuldade foi lidar com o machismo, não suportava a ideia de que muitos homens pensavam que eu não era capaz de fazer algumas coisas por ser mulher, tampouco quando pensavam que se eu estava com uma roupa curta é porque estava me oferecendo.

S -Você sofreu algum tipo de preconceito étnico-cultural?
T –Dizem que brasileiro é amado em quase todas as partes, isso eu não sei. Mas sei que não somos respeitados em todas as partes do mundo, especificamente falando das mulheres. Sofri preconceito por ser brasileira, muitos diziam que somos promíscuas e às vezes era julgada como tal sem razão, somente por um estereótipo criado. Além disso, alguns me julgavam como não brasileira porque não tenho samba nos pés. Para mim ficou claro que a imagem que possuem do Brasil é samba, futebol, carnaval e mulheres nuas ou pelo menos semi nuas.

S -Há algum tipo de atitude/política adotada no Peru você acredita que o Brasil deveria importar?
T –Essa é uma pergunta realmente um pouco complicada de responder, já que as políticas peruanas não são as melhores. Mas algo que senti muita diferença foi em relação à segurança, me sentia muito mais segura em Lima do que em Belo Horizonte. Foram investimentos feitos pelo governo peruano que também deveria ser feito pelo governo brasileiro, além de investir também em saúde e educação.

S -Com a atual crise política e econômica brasileira muito se fala em deixar o Brasil. O que você pensa sobre isso? É uma solução? Para aqueles que podem, claro.
T –Realmente o Brasil não se encontra atualmente na melhor situação, mas não posso julgar se a melhor situação é sair do país e pronto, tudo resolvido. Acho que primeiro deve-se analisar bem o país para o qual se pretender ir, mesmo porque não é só o Brasil que se encontra em crise. Além disso, acho importante fazer um balanço sobre onde você terá uma melhor qualidade de vida. São muitos fatores envolvidos.

S -Você pretende voltar para o Peru?
T –Para morar não, mas pretendo voltar para visitar alguns amigos e também para conhecer mais do país que se diga de passagem é maravilhoso e vale muito a pena conhecer, recomendo para aqueles que ainda não conhecem.

S -Há algum conselho/dica que você gostaria de ter recebido antes de partir?
T –Acho que não existem conselhos que possam ser dados no momento de uma partida, mas o que acho de extrema importância é o apoio da família e dos amigos.

S -Quantas bolinhas de gude cabem dentro de um ônibus?
T –Huuuum, milhares (?) Tenho que dizer que não sou tão boa com números, nem com uma aproximação. Então, faço essa pergunta a você que está lendo: Quantas bolinhas de gude cabem em um ônibus?

S -Espaço livre para você dizer o que quiser!
T –Fazer um intercâmbio foi a melhor oportunidade e a melhor experiência que eu poderia ter (recomendo a todos), ir a um país desconhecido, onde não conhecia ninguém e do qual eu não tinha fluência do idioma. Tive muito medo no início, medo de deixar minha família, meus amigos, medo de deixar o conhecido e de sair da minha zona de conforto. É um caminho de desafios. Mas em algum tempo a situação muda, você conhece novas pessoas, e começa a pensar que aquelas pessoas podem ser a sua nova família. Você começa a pensar na dor de voltar para casa, na dor de deixar uma extensão da sua família (isso mesmo, aquela dor que você sentiu ao partir, você sente ao regressar). Depois dessa experiência, não mais me hesito em conhecer novas pessoas, novos lugares, novas culturas e como diz uma música do Calle 13: “Ahora tengo cada vez más ganas de conocer lo que hay después del mar y espero que las turbinas de los aviones nunca me fallen”.

Referências e links legais

1- A autora citou a música La Vuelta Al Mundo da banda Calle 13. Ouça-a no vídeo abaixo:

2- Você encontra mais informações sobre o Peru neste artigo da Wikipédia: Peru – Wikipédia, a enciclopédia livre;

3- O #SQS já publicou outras experiências e aventuras brasileiras pelo Peru. Em A árdua (ou cara) tarefa de chegar até Machu Picchu contamos um pouco do caminho até Machu Picchu.

4- Créditos das fotos: Header – Photo via Visual Hunt; Imagem destacada: Photo via Visual Hunt;

5- Photo credit: Art Dino via Visual hunt / CC BY-SA, Photo credit: Geraint Rowland Photography via VisualHunt / CC BY-NC, Photo credit: Costa Rica Bill via Visualhunt / CC BY-NC

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