Sobre a marginalização musical dos festivais

No atual momento político que estamos vivendo no Brasil, escrever sobre qualquer assunto está impossível de não ser contaminado pelos incômodos e pelas discussões que estão rolando. Com a música não vai ser diferente.

Na educação formal brasileira, é ensinado que a palavra “marginal” é, em seu sentido mais pejorativo, uma “tradução” para aquilo que é de natureza ruim, que fica à margem. À medida que vamos crescendo e nos firmamos como formadores de opinião isso vai mudando… vamos percebendo que as poesias marginais, as músicas de cunho político que também são chamadas de marginais, são de extrema importância no desenvolvimento político e social do país. Pois é… a marginalização na música nada mais é do que aquilo que, ainda, não alcançou devida visibilidade ou alcançou um status de sucesso.

Nos festivais de música, aqui no Brasil e em outros lugares do mundo, talvez isso seja empregado da forma mais mascarada possível, através da marginalização dos palcos. Aquele palco que não é o principal e que não toca uma banda headliner fica à margem de público, de divulgação propagandista e de possíveis transmissões televisivas. Então deixa eu te confessar uma coisa: as bandas que se apresentaram nos palcos marginais do Lollapalooza neste ano de 2016 deram um show (literalmente!).

Vamos começar com o que mais choca: Die Antwoord. A banda sulafricana de rappers brancos traduz toda marginalização bancada em seu estilo musical. A cultura Zef, um termo utilizado para se referir à cultura da classe trabalhadora dos sulafricanos brancos, mistura um bando de referências, tornando sua música única. Fazendo intensas críticas aos modelos capitalistas e à “surdez” das pessoas em relação às condutas sociais, as músicas de Die Antwoord trazem a identidade e a diferença à tona com seu estilo para o festival:

Outra galera diferente e que merece um bocado da sua atenção é a galera do Of Monsters and Men. Começando com o fato de ser uma banda islandesa de folk rock, sinônimo de singularidade, a banda tem uma formação vasta, tanto no quesito integrantes, quanto no quesito instrumentos musicais. Com sua mescla de sonoridades, OMAM vem trazer a ideia de inclusão e mistura nos acordes musicais, contrastando vozes, instrumentos e melodias:

Dar uma chance pras bandas menos conhecidas pra que elas não fiquem mais à margem de toda divulgação e transmissões. Pensar sobre o “quem tem mais sucesso tem mais visibilidade”. Conhecer para poder criticar. Seguem na mesma linha, política e música…

Crédito de imagem

1. A imagem em destaque é de autoria de barnigomez via Visual hunt / CC BY.

2. A imagem do cabeçalho é de autoria de nunodantas via Visualhunt.com / CC BY-NC-SA.

Luciana Bastos

Luciana Bastos

Psicóloga, especialista em Clínica Psicanalítica, e interwebz. Seu maior talento é saber todas as piadinhas e memes da internet. Tem fascínio pela leitura, cinema, artes, cultura e música. Principalmente música. Quando não está descobrindo nada de novo, atua como psicóloga e estuda uns Freud.

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