Arte engajada é linguagem: Quem tem medo da arte contemporânea?

Tem aquela arte contemporânea que se apropria de objetos do cotidiano, aí a gente pensa, desde quando uma garrafa de Coca-Cola antiga é arte?

Arte contemporânea é mutação, está em processo e não tem nem definição. Marcel Duchamp nos libertou do belo. Colocou um mictório na galeria e arrasou no mundo das Artes. A ideia é: não precisamos entendê-la para usufruí-la, não é na racionalidade que você vai encontrar as respostas! Ferreira Gullar já disse, se tudo é arte, também nada é arte, então, será que vale a pena a gente parar para pensar um pouquinho sobre a arte dos nossos tempos? Tem muito artista contemporâneo que não está nem aí, não tem importância se a obra de arte agrada aos expectadores visualmente, ou não. Às vezes aquela que achamos absurdamente feia, é a que nos causa a sensação de desconforto ou alguns questionamentos – e sim, isso já cumpre o papel de ser Arte, expressão que causa sentimentos, ativa a subjetividade e a capacidade de inovar e resignificar. Tem aquela arte contemporânea que se apropria de objetos do cotidiano, aí a gente pensa, desde quando uma garrafa de Coca-Cola antiga é arte? Bem, tudo depende dos contextos, conceitos e preconceitos. O que tem por trás disso ou o que ele quis dizer com aquilo? Por um lado é instigante e por outro, é aquela estória, a arte imita a vida e quem disse que a vida só tem coisa bonita e simples?

IMG_9832

Mas já que nosso olhar tem pedido o belo, vamos pensar nessa mesma arte que tem também, como Vinícius de Morais bem disse, a beleza que é fundamental. E é nessa poesia que provoca não só a reflexão da arte, mas também um certo deslumbre, que queremos tratar. Quem já visitou o nosso querido Inhotim? Considerado a Disney da arte, é o maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América: são 100 hectares de terras recheadas de galerias, obras de arte e jardins coloridos. É uma prova que nem tudo que é arte contemporânea é difícil de ser sentido ou simplesmente mais próximo.

IMG_9800

>
SAM_2275SAM_2270SAM_2248

O Inhotim recebe diariamente centenas (ou milhares) de visitantes de todo o mundo, e as fotografias registradas pelos expectadores dessa arte são divulgadas em todas as mídias sociais. Tudo nesse museu contempla a beleza do artificial, a cor dos lagos, a fauna, a flora, as galerias. Tudo perfeitamente colocado no seu lugar. Paisagisticamente falando: tudo lindo. Enfim, bonita ou feia, a arte contemporânea é polêmica, causa conflitos de opiniões e tem muita gente por aí que diz: não se fazem mais artistas como antigamente. É aquele saudosismo da arte tradicional que, cá entre nós, tem o seu lugar, mas não seria um pouco careta demais não mudar o pensamento?

Fotor_145516094050335Fotor_14551554485675
Fotor_145516103783493Fotor_145516099267568

A diversidade de linguagens, suportes e interdisciplinaridade reflete a atualidade, e é por isso que tudo parece tão confuso. Performances, instalações, arquitetura, pinturas com diferentes materiais, tudo isso mistura vida e arte, esta que está inserida no cotidiano, a busca da liberdade e da pluralidade. A convergência e a divergência estão inerentes a todos esses processos visuais do mundo contemporâneo, é uma profusão de conceitos e debates que, realmente, nem eu que estudei (e trabalhei com isso) compreendo totalmente. E é isso, é normal, é difícil lidar com o diferente, mas vamos lá! É só se permitir ver e quem sabe perder o tal do medo de se aproximar, sentir e abrir o olhar. Arrisque-se sem medo, por que você já sabe, é tempo de ver e de ler os vários ângulos desse mundão (que é também, como essa arte) contemporâneo.

Fotor_145515536063335Fotor_145515526626283Fotor_145516109218494Fotor_145515551746178

Para saber mais:

1. Site do Inhotim

Ah! e pra quem não sabe: às quartas-feiras a entrada é gratuita. Aproveita gente!

2. QUEM TEM MEDO DE ARTE CONTEMPORÂNEA?

Filme produzido pela Fundação Joaquim Nabuco que relata a visão de vários artistas sobre a arte contemporânea. Com comentários de Fernando Cocchiarale. Direção: Isabela Cribari e Cecília Araujo

3. Faxineira confunde obra de arte contemporânea pós festa e “faz limpeza” em museu.

4. Outros textos da série “Arte engajada é linguagem”:

Arte engajada é linguagem: Introdução.

Arte engajada é linguagem: Pinturas e formas.

5. Fotos do texto: As fotografias foram feitas por mim (Flávia Neves) e mais dois amigos, Tleysse Assunção e Efe Godoy. Ambos trabalharam comigo no Inhotim (em 2012) , como arte-educadores. Este trabalho fotográfico foi uma proposta de intervenção artística no ambiente, e como a gente falava: faz de conta que isso era aquilo. E isso era.  Saudades dessa época <3

6. Foto destaque: Artista Ternero

Link da exposição: É tempo de ver, um recorte subjetivo do olhar.

Flávia Neves

Flávia Neves

Flávia Neves é formada em licenciatura em Artes Visuais na UEMG. Trabalhou no museu Inhotim e possui experiência com mediação em arte contemporânea. Acredita que imagens são palavras que nos faltaram e tem a fotografia como forma de colecionar momentos, uma coletânea de referências e inspirações. Hoje, trabalha com Design inclusivo, especificamente no projeto do Librário, o jogo que ensina Libras, a língua visual motora dos surdos. Busca levar os conceitos das artes para sala de aula de maneira lúdica e divertida.

%d blogueiros gostam disto: