Fugindo do carnaval: travessia dos Lençóis Maranhenses

Confesso que tentei, mas não gosto mesmo de carnaval. Muita gente, muito barulho, muito calor, nasci um pouco velha pra isto. Mas o feriado não deixa de ser ótimo para procurar outros lugares e aproveitar o tempo de folga. Mas aí, outro problema: onde neste Brasil você encontra um local no carnaval sem carnaval? Difícil achar um lugar livre dos carros de som e dos confetes. Por isto, neste último carnaval, resolvi ir aos Lençóis Maranhenses. Nesta época não é alta temporada, as lagoas estão praticamente vazias por causa da seca, e o que eu e um grupo de amigos fizemos foi um pouco diferente dos passeios tradicionais que todos geralmente fazem. Não fomos somente até as lagoas principais que podem ser acessadas de carro, mas fizemos um percurso de aproximadamente 60 km, andando no meio das dunas e lagoas, percorrendo quase de ponta a ponta a região dos Lençóis Maranhenses.

mapa-lençóis-maranhenses

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses possui aproximadamente 155 mil hectares de dunas, lagoas, areia e paisagens deslumbrantes. A água da chuva, aprisionada entre as dunas, forma lagoas espetaculares de diversos formatos e cores. Então, para admirar estes cenários, a melhor época é após a temporada de chuvas, de maio a setembro. Como não sabíamos disto e só tínhamos o carnaval de folga, lá fomos nós. A região não conta com muitos luxos e não está completamente adaptada ao turismo, o que é bom, por um lado, pois diminui o impacto humano e preserva o parque. São basicamente duas cidades que servem como ponto de apoio para quem quer conhecer os lençóis: Barreirinhas e Santo Amaro. E o nosso percurso foi exatamente este: sair da primeira e chegar até a segunda em quatro dias. Para se aventurar no parque, você vai precisar de um guia que conheça bem a região, já que ela muda a todo instante. E que seja um bom guia, já que seus pés vão doer, você vai andar demais embaixo do sol, vai atravessar lagoas com a mochila na cabeça e vai querer nadar em muitas delas. De mochila, preferencialmente tão pequena quanto você consiga, a caminhada começa em Atins, passando pelo Canto do Atins, Baixa Grande e Queimada dos Britos. Estes últimos, acredite, são comunidades perdidas no meio da reserva, onde moram umas vinte famílias que se adaptaram para receber os turistas.

A vida ali tem um ritmo diferente: dormir cedo, pois só há energia quando o gerador é ligado, tomar banho nas duchas no terreiro, ver o sol se pôr de cima das dunas, conversar com os nativos tão simpáticos embaixo de casas feitas de buriti, ver todas as estrelas em uma roda de conversa noturna, dormir em redes no silêncio e escuridão mais absolutos.

Apesar da época de seca em fevereiro, as lagoas estavam começando a encher por causa das últimas chuvas! Que sorte! E foram assim os quatro dias que passamos, não só longe do carnaval, mas de qualquer sinal de civilização da forma como a conhecemos. Acordar de madrugada e caminhar o máximo que podíamos para não pegar o sol muito quente. Andar, andar, andar e não ver ninguém mais até onde a vista podia alcançar. Nadar nas lagoas exclusivas, não tão cheias, mas suficientes para um mergulho. Comer o que comem os nativos, com o tempero exclusivo de quem mora por ali. Andar sem querer chegar ao destino final com tanta maravilha ao redor, apesar dos pés doídos de quem não está acostumado a andar na areia.

Ali não é necessário relógio nem medidas. Melhor ficar com o “mais longe do que perto” ou “mais perto do que longe”.  O vento faz e desfaz as dunas, apaga rapidamente as pegadas de quem passa por ali e mantém o cenário prontinho para o próximo que quiser se aventurar!

Mais sobre este passeio:

1. Informações sobre as lagoas e passeios podem ser encontradas no site do parque.

2. O guia que escolhemos foi o famoso Carlos Queimada, nativo da Queimada dos Britos. Excelente guia, não tem como não gostar! Contato: (98) 98734-0615 e carlosqueimada@hotmail.com.

3. O roteiro completo e mais informações sobre esta travessia estão disponíveis aqui.

Marina Muniz

Marina Muniz

Formada em Matemática, mestre em Estatística e professora no ensino superior, trabalha o ano todo para juntar dinheiro para as suas viagens! Gosta de fazer intercâmbios, aprender outras línguas, experimentar comidas diferentes e conhecer pessoas de outros cantos do mundo. Também gosta de cachoeiras, trekkings, cinema, livros e música brasileira.

2 comentários em “Fugindo do carnaval: travessia dos Lençóis Maranhenses

  • 17 de fevereiro de 2016 a 15:35
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    Nossa, parece ser muito sensacional a travessia! Já fui logo clicando para ler o roteiro completo!
    Você lembra qual o valor cobrado pelo guia, Marina?

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  • Marina Muniz
    17 de fevereiro de 2016 a 23:01
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    Olá Débora, realmente é fantástica, umas das melhores que já fiz! Tudo muito diferente e se inserir no cotidiano das pessoas que moram por lá é muito legal mesmo! Ficou 612 reais para cada um do grupo, com o transporte das dunas até a cidade, as refeições, as noites nas redes e as diárias do guia. Mas isto tudo depende da época, de quantas pessoas vão e do que você vai querer incluir no pacote. Tem como pagar só o guia, se preferir… Achei barato pelo trabalho que é oferecido!

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