Festival de cinema francês online: Henri Henri

Nada de pipoca. Henri Henri é um filme doce sobre abandono e memória, para assistirmos enquanto comemos picles!

O festival de cinema francês online está rolando e você provavelmente está comendo mosca, né? O SQS já deu a dica: a qualidade dos filmes é ótima, há várias opções de legendas, entre elas português, inglês e francês, o cadastro é super rápido e você não paga nada, tudo gratuito! Para ajudar quem está perdendo, falarei hoje sobre um dos filmes, Henri Henri.

Henri é um rapaz que passou grande parte da vida dentro de um orfanato. Numa cena bonita que foca retratos na parede, vemos levas e levas de garotos que entraram e saíram da casa, enquanto Henri permaneceu. E sua permanência, mesmo após a idade máxima permitida, fez com que ele passasse a executar pequenas tarefas, sendo a principal delas a troca das lâmpadas queimadas. Mas num certo dia o orfanato recebe a ordem de fechamento, e Henri é obrigado a sair e encontrar um lugar para morar. A partir daí o filme ganha contorno de conto de fadas moderno, no estilo Amélie Poulain, pois Henri nada conhece do mundo lá fora, e tudo parece novo. Apesar de ser previsível, este é daqueles filmes bonitinhos, que nos mostram um mundo doce e nos fazem sair deles com sensação de bem estar.

Um ponto forte do filme é seu ator principal. Ele nos conduz a um Henri maravilhado e apaixonado, tímido e inocente. A cada um que Henri conhece ele diz que seu trabalho é levar luz para a vida das pessoas, e podemos ver seus olhinhos brilhando ao dizer isso. E não é surpresa que o rapaz acabe por encontrar emprego numa loja de lâmpadas e, através dela, quando é preciso substituir as luzes no cinema, é que Henri conhece Hélène, moça dispersa que trabalha na bilheteria e por quem se apaixona. Diga-se de passagem, a atriz que faz Hélène está divina no papel, e só não dou detalhes para evitar spoilers.

Além disso, num dos serviços que precisa efetuar, Henri faz amizade com um senhor rabugento, antigo produtor dos deliciosos picles Binot, que fica o dia todo sentado tentando escrever suas memórias. Mais tarde vemos que ele escreve não para relembrar, mas sim para não ser esquecido. E isso faz contraponto com o nome do filme, pois Henri desconhece seu sobrenome e sua história, e toda vez que se apresenta para alguém é obrigado a dizer Henri Henri.

Então fica a dica deste filme que, apesar de não ser surpreendente, nos aquece e faz crer: o melhor da vida são picles Binot 😉

Informação complementar

1. Nota: Se quiser ler outros textos de Pedro Daldegan ou de outro autor específico, basta ir ao topo da página e clicar no nome abaixo do título do post.

2. A imagem deste post é de autoria de Fernando Stankuns via VisualHunt / CC BY-NC-SA.

Pedro Daldegan

Pedro Daldegan

Mestre em matemática pela UFMG. Atualmente é aluno de doutorado na mesma instituição, com ênfase em álgebra. Quando não está no cinema ou matematicando, é leitor, cozinheiro e poeta. Há boatos de que também desenha, mas só temos conhecimento dos seus deformados bonecos de palitinho.

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