Arte engajada é linguagem: Pinturas e formas

Um universo mais amplo é possível, a gente já falou disso por aqui né? Então vamos ao nosso papo sobre arte: essa ou aquela obra de arte faz você se lembrar de alguma coisa? Como são as cores? Suaves ou fortes? E as formas? Retas? Curvas? Essa pintura nos transmite a sensação de leveza ou de peso? Quantos tons de azul podemos notar? Quantas texturas podemos observar? Qual o movimento que a obra sugere? Podemos chamar essa obra de abstrata? Por quê?

Quando estamos (muuito) dispostos a olhar algumas pinturas, nos deparamos com algumas dessas questões. Abstrato, no sentido figurado, significa distraído, absorto. No coloquial, significa algo vago ou impreciso. Entretanto, no contexto dos elementos da linguagem visual, abstratas são todas as formas que não são reconhecíveis como uma figura. Isso é cultura visual, e ainda é tempo de abrir o olhar.

O que é arte abstrata e o que é arte figurativa é uma questão bem simples, embora a abstração seja uma discussão complexa. Na figurativa podemos notar facilmente uma figura representada, enquanto na abstrata é difícil associar a imagem a alguma forma reconhecível.  A pintura (ou qualquer obra de arte) nem sempre precisa representar a realidade ou formas conhecidas, ou seja, liberdade total.

Um artista que explorou muito o abstracionismo em suas obras foi Kandinsky. Já outro, que é ainda mais famoso pelas suas obras naturais e figurativas, é Leonardo da Vinci. Aproximar-se dos significados expressivos e comunicativos das formas visuais, e identificar os produtores de arte como agentes sociais de diferentes épocas e culturas, pode responder algumas questões do cotidiano e da nossa leitura do mundo.

Propor a abstração-figuração na interpretação (ou construção) de imagens através da observação e da identificação é importante porque talvez seja como Eduardo Galeano disse, “sejam as palavras que contam o que a gente é” e, porque não, o que as coisas são. “A visão carrega o sotaque das nossas origens”, como disse Manoel de Barros. E por falar em tudo isso, aproveito para fazer uma chamada: vai acontecer a partir de 27 de janeiro, no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil  de BH (que por sinal é um lugar lindo e está aqui nas fotos abaixo), a exposição de Iberê Camargo, Um trágico nos trópicos. Ela contempla 40 anos de trabalho do artista e, entre outros meios, a pintura! Suas obras abordam, com suas formas, a questão do homem, do corpo e de sua existência, e fica lá até dia 28 de março. Bora lá!?

Então é isso, com cores primárias ou secundárias, linhas orgânicas ou geométricas, formas abstratas ou não, como é para mim ou como é pra você, a pintura é democrática! Bora ver e valorizar as experiências visuais, porque a gente já sabe, arte engajada é linguagem.

Links legais

1.  Primeiro texto da série.

2.  Vida e obra de Kandinsky.

3. Vida e obra de Leonardo Da Vinci.

4. Fundação Iberê Camargo.

5. Centro Cultural Banco do Brasil.

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Flávia Neves

Flávia Neves

Flávia Neves é formada em licenciatura em Artes Visuais na UEMG. Trabalhou no museu Inhotim e possui experiência com mediação em arte contemporânea. Acredita que imagens são palavras que nos faltaram e tem a fotografia como forma de colecionar momentos, uma coletânea de referências e inspirações. Hoje, trabalha com Design inclusivo, especificamente no projeto do Librário, o jogo que ensina Libras, a língua visual motora dos surdos. Busca levar os conceitos das artes para sala de aula de maneira lúdica e divertida.

Um comentário em “Arte engajada é linguagem: Pinturas e formas

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