5 dicas para a sua vida baseadas em estatísticas estranhas

Estatísticas que vão contra o senso comum podem se tornar valiosas dicas de sobrevivência no mundo moderno

Quando paramos para pensar e analisamos alguns números, vemos que, muitas vezes,  o que o nosso senso crítico e o senso comum indicam como sendo o mais perigoso, na verdade, não é. Algumas estatísticas nos surpreendem por mostrarem números ocultos por trás da nossa experiência, das nossas crenças e dos nossos medos. Vamos exemplificar aqui e depois você me conta se seu instinto não dizia o contrário. Seguindo as nossas recomendações, você tem maior chance estatística de sobreviver ao mundo moderno. Como já está muito difícil tomar algumas decisões na vida, te damos algumas dicas. Vamos lá:

#1 – Selfies vs. Tubarões

Selfies matam mais que tubarões. Como assim? Aquela fotinha inofensiva que eu tiro todos os dias de mim mesma? Sim! No ano de 2015, 12 pessoas morreram tirando selfies, enquanto somente 8 morreram de ataques de tubarão! Um senhor morreu ao cair do Dicas contra tubarõesTaj Mahal enquanto tirava uma foto com mais três amigos.  Na Romênia, uma jovem morreu ao tirar uma foto em cima de um trem parado quando foi acidentalmente eletrocutada.  Novamente na Índia, quatro jovens tentaram tirar uma selfie com um trem em movimento. O resultado não foi o esperado e sobrou apenas um jovem vivo para contar a história. Pois é, selfies em lugares perigosos matam mais que tubarões no mar.
Dica: não tente tirar selfies no mar de Recife, pode não ser uma boa ideia!¹

#2 – Dirigir bêbado vs. Andar bêbado pela cidade

Vamos pensar que você bebeu muito em um dos bares de Belo Horizonte (na verdade, estes dados que apresentarei são americanos) e pensa em voltar para casa dirigindo. Sabe-se que a probabilidade de um motorista bêbado provocar um acidente é 13 Um das dicas é: vá de táxi!vezes maior do que se ele estivesse sóbrio. Aí você pensa duas vezes antes de ir de carro, não é? É (deveria)!! E como o bar não é tão longe assim da sua casa, você decide ir andando pelas ruas seguras de BH! Todo mundo deveria te dar os parabéns pela sua atitude, mas CUIDADO. Os números mostram que você fez a escolha errada! A cada ano, mil pedestres bêbados morrem em acidentes de trânsito! Ou saem das calçadas e se jogam diante dos veículos ou se deitam para descansar nas estradas e são atropelados. E então, estatisticamente, o que fazer? Calculando a probabilidade de se morrer destas duas maneiras, chega-se ao surpreendente fato de que caminhar bêbado é oito vezes mais perigoso do que dirigir bêbado! Isto não quer dizer que você deva beber e dirigir, pois nestas circunstâncias, 36% das vítimas de acidentes são passageiros, pedestres e outros motoristas, ou seja, além da sua vida você está colocando a de outras pessoas em risco.²
Já que ninguém vai deixar de beber, a dica é: vá de taxi! (ou de Uber! Se bem que proibiram o Uber, né?)

#3 – Protegendo-se de raios

Uma tempestade se aproxima. Você vê os raios e o que faz? Acho que todo mundo já viu na televisão o quanto é perigoso ficar em local aberto quando há raios. Tem aquela cena em um campo de futebol em que todos os jogadores caem ao mesmo tempo quando a região é atingida por um raio. E então? Embaixo de árvores nem pensar, sabia disso, né? Correr pra dentro de casa me parece uma boa ideia. Mas não se engane, isto não é seguro em todas as circunstâncias. No Brasil, os resultados do levantamento de mortes por raios da década, dados de 2000 a 2009, elaborados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que se abrigar no seu doce lar nem sempre é o mais seguro. Na década passada, no Brasil, morreram 1.321 pessoas atingidas por raios, sendo que 14% delas estavam dentro de casa. Claro, isso é bem menor do que os 86% das pessoas que morreram estando fora de casa. Mas quando olhamos os locais de morte separadamente, vemos que esta porcentagem é maior do que em outros locais específicos, como, por exemplo, os 12% que morreram por estarem sob árvores ou os 10% que morreram em campos de futebol.³
Fica a dica: o melhor lugar para se abrigar é dentro de veículos.

#4 – Carroças assassinas

Para quem reclama dos carros no mundo de hoje, imagine-se em New York em 1900. O meio de locomoção mais popular eram as carroças. E a vida era linda, sem acidentes, não é mesmo? Não! Os cavalos ariscos e a dificuldade de controlar as carroças mataram 200 habitantes no ano de 1900, quando a população de NY era de 170 mil habitantes. Já em 2007, foram 274 mortes em acidentes automobilísticos, ou seja, uma por 30 mil habitantes. Isto quer dizer que a chance de morrer atropelado por uma carroça em 1900 era quase duas vezes maior do que em acidentes em 2007.²
Dica: cuidado com carroças!

#5 – Os verdadeiros inimigos do homem

Novamente os temidos tubarões! Sabia que entre 1995 e 2005, ocorreram, em média, 60,3 ataques de tubarão por ano, em todo o mundo? Em 2001, dos 68 ataques de tubarão, só quatro foram fatais. Já os elefantes matam pelo menos 200 pessoas por ano! Estranho não existir o filme “Elefante” e não serem noticiadas estas mortes de forma recorrente na televisão. Se você tem medo de Dicas contra elefantes!tubarão e agora começou a ter medo de elefantes, calma aí. A tênia, ingerida pela carne de porco, causa 1200 mortes por ano no mundo! Já a lombriga, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), causa 60 mil mortes por ano, geralmente entre crianças. E ainda mais surpreendente, são as mortes causadas pelo melhor amigo do homem. Segundo a OMS, as mordidas de cachorros causam a maioria das mortes por raiva entre humanos, com dezenas de milhares de casos registrados por ano.
Dicas: tubarões não são tão maus assim, mas cuidado com o cachorro raivoso do vizinho.

Todos os dados apresentados aqui foram obtidos de fontes externas, apresentadas no final do texto. Claro, são só números comparativos entre duas situações geralmente muito diferentes entre si e não devem ser levadas ao pé da letra. Existem inúmeros fatores não mencionados que colaboram para cada uma destas estatísticas serem maiores que outras. São meras curiosidades que nos mostram que, sem analisar a situação como um todo e seus contextos, nossos medos nem sempre estão coerentes com os números. Ninguém vai sofrer um ataque de tubarão se não entrar no mar e ninguém vai morrer tirando selfie no banheiro de casa. Mas olhando puramente os números, o nosso medo de selfies deveria mesmo ser maior do que o de tubarões!

Referências:

1. Os dados foram tirados desta reportagem da Revista Galileu.

2. Estas situações e análises são do livro Freakonomics, de Steve Levitt e Stephen Dubner. O livro apresenta inúmeras curiosas estatísticas contrárias ao senso comum.

3. Dados provenientes da Revista Scientific American Brasil, nesta reportagem.

4. Estatísticas do livro Freakonomics e desta lista do BBC Brasil.

 

Marina Muniz

Marina Muniz

Formada em Matemática, mestre em Estatística e professora no ensino superior, trabalha o ano todo para juntar dinheiro para as suas viagens! Gosta de fazer intercâmbios, aprender outras línguas, experimentar comidas diferentes e conhecer pessoas de outros cantos do mundo. Também gosta de cachoeiras, trekkings, cinema, livros e música brasileira.

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