Tá linda, sua bandida

Galzinha, é impossível para mim ser imparcial ao falar de você. É difícil colocar a emoção de lado ao falar de algo que me move e me faz tão feliz.

Considerada a maior cantora brasileira de todos os tempos (ao lado da querida Elis), Gal Costa, agora com 70 anos, se inova a cada dia, e mostra que ainda tem muito gás. É interessante ver uma cantora “das antigas” conquistando um público cada vez mais jovem, como eu. E não é difícil entender a razão disso se você vai a um show dela, ou escuta os últimos álbuns. Falarei um pouquinho sobre o último show, Estratosférica.

Assim que as cortinas se abriram, guitarra e cia rolaram soltas, acompanhadas pela voz límpida da Gal cantando “Sem medo nem esperança” (abaixo). E não era samba, não era bossa nova, nem mpb: era rock!, em alto e bom som para ela dizer porque veio. E esse tom roqueiro permeou quase todo o show. E é incrível como em meio a tantos instrumentos, guitarra, violão, teclado, baixo, bateria, a voz da Gal mostrou-se presente e unificou tudo.

Não tenho medo nem esperança. Nada do que fiz, por mais feliz, está à altura do que há por fazer.

E não parou no rock. Descreverei mais algumas preciosidades(!).

“Quando você olha pra ela”: composta por Mallu Magalhães, possui uma pegada mais romântica. Fala de uma pessoa A apaixonada por B que, por sua vez, está apaixonada por C. Mas não pense que a letra é bobinha. Mesmo após ouvir repetidamente esta música, demorei a perceber o trecho “Curva seu corpo pra ela. Pra mim, montanha.” Fiquei em êxtase ao notar quão esperto foi utilizar o simples ato de se curvar para exprimir veneração à uma pessoa e negação à outra. Bravíssimo, Mallu!

“Por baixo”: composta por Tom Zé, essa música tem sua marca registrada. Com humor inteligente e erótico, ele nos faz passear pelas “estradas que conduzem nos fios os teus arrepios. Manifestos em ois! E uis! E ais! Lá onde a razão não chega mais.” Deliciosa de ouvir, confira!

“Como 2 e 2”: já eternizada tanto na voz de Roberto Carlos quanto na de Caetano (composição deste último), o lindíssimo refrão me faz arrepiar: “Meu amor, tudo em volta está deserto, tudo certo. Tudo certo como dois e dois são cinco.”

Enfim, sugiro você ouvir o álbum todo, e assistir aos vídeos, pois mal comecei a falar das minhas prediletas…

Assim, com um vestido florido e sapato vermelho, Gal reinou no palco. Em determinado momento, uma mulher na plateia gritou “Tá linda colorida!!”. Gal não perdeu tempo e respondeu, sorrindo “Tá linda, sua bandida? Ora, foi isso que entendi.” E queria ter sido eu a dizer a frase entendida por Gal, pois com sua voz e presença, por aquelas duas horas, ela roubou-me de mim.

Mas depois conversamos mais. Vamos nos apaixonando por aí…  e até o próximo “Átimo de som”…!

Links interessantes

  1. Para quem quiser saber mais sobre o álbum Estratosférica, quem compôs as músicas, como foi a preparação, curiosidades ou detalhes técnicos, pode visitar a página oficial da cantora, em Gal Costa – Estratosférica.
  2. O penúltimo álbum da Gal, Recanto, é mais sombrio, mas também é uma pérola. Sugiro a vocês conferirem alguns vídeos no YouTube, em Gal Costa VEVO. Lá vocês encontrarão, por exemplo, a belíssima Um dia de domingo, em que Gal abre o vozerão e homenageia Tim Maia.
  3. A imagem no cabeçalho, do show Estratosférica, é de autoria de Eduardo Philippe/Casa de Taipa Produções. Ele gentilmente autorizou a utilização da foto aqui no #sqsblog.
  4. A imagem em destaque, do show Recanto, é de autoria de Thierry Freitas via VisualHunt / CC BY-ND.
Pedro Daldegan

Pedro Daldegan

Mestre em matemática pela UFMG. Atualmente é aluno de doutorado na mesma instituição, com ênfase em álgebra. Quando não está no cinema ou matematicando, é leitor, cozinheiro e poeta. Há boatos de que também desenha, mas só temos conhecimento dos seus deformados bonecos de palitinho.

2 comentários em “Tá linda, sua bandida

  • 23 de dezembro de 2015 a 05:45
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    Sei mto bem como vc se sente! A minha ídola Madonna tem 56 anos e conquista mtos jovens fans tb! O trato que ela tem com shows eh coisa linda, atenção a cada detalhe e postura intervencionista e autoritária na organização de todas as camadas do show, como nossa rainha Dilma. Infelizmente não conheço o trabalho da Gál, mas quem sabe um dia. =)

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    • Pedro Daldegan
      9 de janeiro de 2016 a 15:15
      Permalink

      Oi Gilberto! Conheço pouco o trabalho da Madonna, e por essa razão um amigo fez a gentileza de criar uma playlist dela no Spotify, para eu conhecer melhor. Podemos trocar figurinhas ^^ No texto fiz referência a outro trabalho da Gal, o álbum Recanto. Depois ouve lá, muito bacana também.

      Responder
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