Arte engajada é linguagem

Arte visual é um meio de utilizar imagens para comunicar ideias

Tudo começa num ponto. E para começar, devo pontuar: por aqui pretendo escrever sobre arte e educação no contexto inclusivo. Por isso quero salpicar agora algumas pitadas de conteúdos das Artes Visuais. Esta arte que parece tão distante, tanto como área de conhecimento — pensando nos conceitos — quanto pura atividade antiestresse. O importante é compartilhar o olhar desse recorte de maneira leve e simples.

A arte é por natureza inclusiva e visual e por isso vou começar uma série de posts para falar dos nossos queridos meios das artes visuais, é isso, aqueles tipos diferentes de obras de arte que a gente encontra por aí, seja nos museus ou na rua. Temos dos mais clássicos, como pintura, escultura, gravura, até dos mais contemporâneos, como performance, instalação e fotografia! Quando sabemos que uma cadeira tem o nome de cadeira, podemos generalizar a palavra e a imagem que a identifique e com a generalização nos apropriamos daquele conceito, assim podemos identificar uma cadeira em qualquer lugar que a gente possa estar. Quanto mais nos apropriarmos dos conceitos da arte, mais nos aproximamos dela, e dessa forma, os diferentes meios de expressão fazem todo sentido. O legal é nos apropriarmos da arte!

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Incluindo a arte no nosso cotidiano podemos ver o mundo e todas as suas leituras. Quando lemos um livro, por exemplo, vemos imagens a partir das palavras. Dessa maneira, quando lemos uma obra de arte, imagens nos contam histórias visuais que são escritas pelos elementos da linguagem visual, tais como linha, ponto, formas, cores, espaço e outros. Sendo assim, a linguagem visual é um meio de utilizar as imagens para comunicar ideias: da mesma forma que as pessoas podem verbalizar um pensamento, elas podem visualizar o mesmo.

É isso, nós podemos ler as imagens e consumir dessa arte. Pelas palavras de Cartier-Bresson um dos mais importantes fotógrafos do Século XX: O olhar tem tudo para estabelecer as relações com as formas, sejam elas abstratas ou figurativas, é um prazer visual.

Há uma rima entre os diferentes elementos, há um quadrado aqui, um retângulo, outro retângulo…Cartier-Bresson
Satisfação é ver as formas e as cores organizadas em um espaço. É um prazer sensível e intelectual ao mesmo tempo: ter tudo no lugar certo. É um reconhecimento de uma ordem que está na sua frente, são todas essas relações de linhas orgânicas e geométricas, de design, de detalhes… A arte dá o que falar, ela expressa, comunica e nem precisa ser explicada, só precisamos de uma aproximação.  E é por isso que, por aqui nessa série vamos falar disso, porque arte engajada é linguagem! Acompanhem!

Links legais

1. Galeria com o trabalho do fotógrafo francês Cartier-Bresson;

Flávia Neves

Flávia Neves

Flávia Neves é formada em licenciatura em Artes Visuais na UEMG. Trabalhou no museu Inhotim e possui experiência com mediação em arte contemporânea. Acredita que imagens são palavras que nos faltaram e tem a fotografia como forma de colecionar momentos, uma coletânea de referências e inspirações. Hoje, trabalha com Design inclusivo, especificamente no projeto do Librário, o jogo que ensina Libras, a língua visual motora dos surdos. Busca levar os conceitos das artes para sala de aula de maneira lúdica e divertida.

3 comentários em “Arte engajada é linguagem

  • 21 de dezembro de 2015 a 22:50
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    Na verdade, estamos acostumados a ver e não enxergar maior parte das coisas. Passo todos os dias por diversas manifestações artísticas, geralmente de rua, e não havia reparado isso até que li esse texto. Fato é que nos limitamos aos nossos meios. Vejo relação jurídica na venda de um pão e dificilmente reparo em um cupcake gigante pintado em um muro. Deficiência de uma mente contida.

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    • Flávia Neves
      28 de dezembro de 2015 a 09:48
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      Oh gente, que lindo! Primeiramente, obrigada pelo comentário! Achei lindo quando disse que não havia reparado nisso até ler esse texto. Realmente (ou surrealmente), a arte está dentro do nosso olhar, carrega a nossa bagagem, e por isso, ela é singular. Cada um enxerga, qualquer que seja “a coisa” ou o meio da arte, da forma ou com “aquilo” que lhe é mais próximo. O olhar é único e a ideia é ampliarmos o repertório. Pensar com a arte, cores e formas é uma outra forma de ver o mundo ao nosso redor. Para mentes contidas, uma arte até como descontração e sem limitações!
      Beijos! <3

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