Projeto #MAODUPLA

Emília Guimarães e Guilherme Toledo, publicitários de Belo Horizonte criaram e executaram um projeto de intervenção urbana que discute a representação do gênero feminino no cotidiano. Trata-se do “condicionamento social da supremacia masculina”, segundo palavras dos autores.

De forma objetiva, o trabalho busca através da alteração de placas de trânsito, representar o gênero feminino em igualdade ao masculino. A execução foi realizada utilizando mantas magnéticas – o mesmo material daquele imã de geladeira – cortadas em formatos de cabeças com cabelos femininos e saias.

Após os apliques, as placas passaram a representar o gênero feminino.
Após os apliques, as placas passaram a representar o gênero feminino.

Um dos principais aspectos que a dupla procura discutir é a sutileza quase invisível dessa representação, e através dessa mesma sutileza, contestá-la. O trabalho segue uma máxima de Maurice Blanchot, que traz em sí toda a importância destas pequenas representações do dia-a-dia.

O cotidiano que não se deixa apreender e que pertence à insignificância, talvez o lugar de toda a significação possível.

A questão é tão cotidiana e discretamente imposta, que o projeto já está implantando em Belo Horizonte desde o dia 17 de setembro (2015) e há pouca repercussão.

Os autores pretendem distribuir os arquivos utilizados para que outras pessoas, até mesmo de outras cidades, possam montar seus kits e trabalharem juntos. Por tratar-se de uma iniciativa “quase ilegal” e para que seja mantida a sutileza, que é uma das premissas do projeto, a divulgação é mínima.

De acordo com os autores, após uma pesquisa sobre o assunto, dentre todas as placas de advertência no trânsito, as únicas que trazem figuras femininas são as chamadas Área Escolar e Passagem Sinalizada de Escolares. Ambas mostram uma menina sendo levada para a escola por um homem. Mesmo nestes dois casos em que há representação, fica evidente a posição frágil do gênero em uma situação que demanda cuidado e proteção.

Placa A33B - Passagem sinalizada de escolares
Uma das poucas placas que representam o gênero feminino. Ainda assim, sob a proteção da figura de um homem.

A grande maioria das placas alteradas está na região centro-sul, nas ruas do entorno da praça da Liberdade. Como a intervenção é “móvel”, é possível que algumas já tenham sido vandalizadas ou até mesmo que as pessoas tenham levado alguns dos imãs para casa como souvenir. De toda forma, o fundamental é que tenham percebido o discreto protesto.

Além das placas de trânsito, os marcos de cooper orla da lagoa da Pampulha também receberam caracterização, através de adesivos de vinil, como se pode ver no vídeo abaixo.

4 comentários em “Projeto #MAODUPLA

  • 29 de novembro de 2015 a 20:41
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    Que iniciativa bacana, gente!
    Seria realmente muito legal se pudéssemos montar nossos kits em casa e espalhar essa ideia pela cidade!
    Queremos os arquivos! =)

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  • Marina Muniz
    30 de novembro de 2015 a 07:29
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    Bem legal! Não sabia que era isto, mas já tinha reparado enquanto corria pela Lagoa! Até achei estranho a prefeitura ter refeito as placas, hahaha.

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  • 30 de novembro de 2015 a 23:41
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    Legal a iniciativa, pena que o público alvo ideal (classes mais baixas) para mostrar a iniciativa não reparam ou não estão habilitadas para lê-las.

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  • Pingback: Precisamos falar sobre estupro, gênero e machismo - Só Que Sim!

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