O silêncio dos machistas

Os machistas e o Enem 2015

A internet é de fato uma invenção maravilhosa. Mas no meio de todas as vantagens e comodidades que ela trouxe, veio junto um de seus maiores defeitos: dar voz aos machistas, radicais e preconceituosos. O resultado é a propagação de um mar de opiniões que a gente mal consegue ler de tão indigestas que são; tudo isso proferido por uma parcela da nossa sociedade que odeia tudo que é diferente dela. São os intolerantes. 

Não sei se são muitos, mas sei que fazem barulho. E fizeram muito barulho no último domingo(25/10) quando a proposta de redação do ENEM 2015 despencou sobre o colo de muitos deles. O assunto? A violência contra a mulher. Poxa, me peguei imaginando todos os heterozudos abraçados pelo desespero que é defender aquilo que você não acredita. E agora, José?

Ri sozinho, confesso. Mas a proposta da redação significou mais que uma oportunidade pra rir da cara dos machistinhas. Ela foi uma representação, em nível nacional, da causa feminina. Por isso, melhor que pensar na expressão desolada dos intolerantes ou debater doutrina ideológica, é pensar nas milhares de mulheres que se sentiram representadas durante, e após, a prova; e acreditar que foi dado um passo importante no sentido de criar uma consciência coletiva. Foi bonito!

Não rola de tolerar qualquer tipo de violência sob o argumento de que é a opinião do outro, afinal opiniões não são templos sagrados onde podemos nos abrigar das consequências.

No fim das contas, a adoção do tema ainda passa uma segunda mensagem: machista, não há lugar para você. Uma vez que não existe defesa do tema da redação[1]. Qualquer proposta que vá contra os direitos humanos, como seria o caso de se posicionar a favor da violência contra a mulher, vai contra o edital do exame.

É claro que os mais espertos recordaram as aulas de produção de texto e repetiram os argumentos discutidos em sala. Mas o importante é que o recado foi dado: apoie um absurdo desses e você está fora! E para terminar o papo, talvez se revelou a fórmula contra a intolerância: não tolerar intolerância. Alguém pode dizer que é contraditório, mas não é. Não existe todo este relativismo de opinião. Não rola de tolerar qualquer tipo de violência sob o argumento de que é a opinião do outro, afinal opiniões não são templos sagrados onde podemos nos abrigar das consequências. É preciso partir de algum princípio e esse princípio, certamente, deve dizer que todos os seres humanos são iguais.

Referências
  1. Enem traz violência contra mulher na redação. – G1 Notícias.
Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Doutor em matemática pela UFMG, mas gosta de uma porção de outras coisas: linguagens de programação, ciência, literatura, poesia, aquarela e se imaginar em mundos distantes. Tem compulsão por comprar livros e realizou o sonho da máquina de café expresso própria graças à namorada. Ficou conhecido mundialmente como o primeiro matemático a marcar 150 pontos em uma única partida de peteca. Nas horas vagas estuda probabilidade e é professor.

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