Cem dias entre céu e mar

Pisar na Lua, escalar o Everest, mergulhar com tubarões. Por mais fascinantes que essas experiências possam parecer, muito provavelmente morrerei sem vivenciá-las. Não tem jeito, a vida é curta, o dinheiro mais ainda, sou cagão e já tomei uma série de decisões que me afastaram de coisas radicais. Sou matemático, não sou astronauta. Sou medroso, não sou radical. Mas, felizmente, sou imaginativo! E isso me permite experimentar situações que eu jamais vivenciaria em carne e osso.

Um exemplo dessas experiências imaginárias envolve o Atlântico, tubarões famintos e baleias. Uma viagem pra lá de sensacional! Acompanhei a travessia do Atlântico Sul a remo. Sim! A remo! Certamente nunca na minha vida terei tanta coragem. Também não tenho dinheiro pro barco e não sei nadar. Morro de medo do mar!

Pra quem não sabe, a travessia do Atlântico Sul foi feita pelo brasileiro Amyr Klink. No dia 10 de junho de 1984, ele deixou o porto de Luderitz na Namíbia rumo ao Brasil. Um trajeto de mais de 5.000 km. Apenas ele e um barco a remo com menos de seis metros de comprimento. A viagem durou pouco mais de cem dias. Para a nossa alegria, Amyr conta todos os detalhes no livro que dá nome a este postCem dias entre céu e mar.

Capa: Cem dias entre céu e mar
Capa: Cem dias entre céu e mar

Eu já tinha ouvido falar do Amyr, mas só decidi ler o seu relato quando eu estava em Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Acho que todo o contato com o mar, os passeios de barco e a oportunidade de conhecer um pedacinho do Atlântico motivaram a leitura. E que leitura! Que experiência fantástica! Quando me imaginaria acordado por tubarões raspando as barbatanas no fundo do meu barquinho? Ou recebendo a visita de simpáticas baleias de vinte metros? Tudo isso sozinho, no meio do Atlântico, abrigando-me de nervosas ondas gigantes e me refugiando no silêncio transcendental dos dias de mar tranquilo. Impossível não estabelecer uma ligação profunda com o mar, com o autor, com o barco. Impossível não me sentir triste por tudo aquilo que nunca farei e, ao mesmo tempo, feliz pelo pouco que conheço deste mundo. Obrigado Amyr!

[…] descobri que a maior felicidade que existe é a silenciosa certeza de que vale a pena viver.Amyr Klink

Leitura futura e links legais
  1. Página oficial do Amyr Klink;
  2. Outros livros do Amyr Klink.
Rodrigo Ribeiro

Rodrigo Ribeiro

Doutor em matemática pela UFMG, mas gosta de uma porção de outras coisas: linguagens de programação, ciência, literatura, poesia, aquarela e se imaginar em mundos distantes. Tem compulsão por comprar livros e realizou o sonho da máquina de café expresso própria graças à namorada. Ficou conhecido mundialmente como o primeiro matemático a marcar 150 pontos em uma única partida de peteca. Nas horas vagas estuda probabilidade e é professor.

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