As palavras que nos faltam

Problemas sociais existem por todo o Brasil e mundo. Isso é fato. São tantos que muita gente já criou uma camada de insensibilidade a boa parte deles. É aquela estória, muitos parecem tão distantes de você, não é mesmo?, que é como se nem existissem. Mas… eles existem! Façam parte da sua realidade ou não. E mais do que isso, precisam de solução!

Um dentre tantos desafios é a inclusão social e educacional de uma minoria bem específica: os surdos. Você conhece algum surdo? Já parou pra pensar nas dificuldades que eles enfrentam? Aprender Português (você aprendeu Libras?), IMG_20150920_212423pedir ajuda no supermercado, conversar com pessoas e mais um mundo de outras situações que fazemos até sem pensar, mas que contribuem pra nossa formação como pessoa. Pois é, é como se os surdos fossem estrangeiros em seu próprio país. E por isso o projeto do Librário é uma ideia inovadora, com um novo método de abordagem da inclusão dos surdos, na qual é utilizada uma lógica reversa, despertar a maioria (você: ouvinte) com o objetivo de incluir a minoria (os surdos).

Utilizando das ferramentas da Arte e do Design, promove-se o ambiente da escola inclusiva, que é a instituição que mais deve assegurar os recursos pedagógicos, que estimulam o desenvolvimento cognitivo e os processos de sociabilidade entre os alunos, preparando o sujeito sociocultural para se integrar e interagir com o mundo de forma consciente e independente.

O Librário é o jogo da linguagem visual e da língua Libras. Ele é constituído de um baralho de pares de cartas, contendo sinais de Libras, palavras em Português e imagens. Esse jogo possibilita o aprendizado de sinais da Libras de forma leve e divertida, facilitando assim a comunicação entre surdos e ouvintes. O Librário pode ser usado em qualquer jogo que utilize a lógica do pareamento de cartas e outros que a criatividade do professor que o propõe permitir. Para os participantes das oficinas onde a proposta é uma rodada de jogos, é possível perceber que no primeiro contato com a Libras acontece uma boa fixação dos sinais.

A utilização do jogo Librário no ensino e na vida ameniza o preconceito, a partir do momento que é possível a aproximação do ouvinte com a língua/cultura dos surdos. É um trabalho pela inclusão, pela divulgação da Libras e pelos recursos didáticos criativos e imagéticos. As mensagens visuais são emitidas em todo o mundo e quase sempre não precisam ser traduzidas, compartilhamos naturalmente com os que veem essa linguagem. Imagens são palavras que nos faltaram, e elas podem auxiliar e enriquecer a comunicação e o compartilhamento de ideias entre surdos e ouvintes!

Há sempre um mundo, apesar de já começado, um mundo pra gente fazer. Um mundo não acabado, filho nosso, com a nossa cara.

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(Leia mais detalhes do Librário na versão textão deste post)

Conheça melhor o Librário:
  1. Página no Facebook;
  2. Perfil no Instagram.

A tecnologia Social “Librário: Libras na escola e na vida”, desenvolvida por esta que vos escreve, está entre os três primeiros lugares da categoria “Universidades”, da 8ª edição do Prêmio de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil. Estamos torcendo e o resultado será divulgado durante a premiação, na sede do Banco do Brasil em Brasília, no dia 10 de novembro de 2015.

Como dito, o Librário é o jogo da linguagem visual e da língua Libras. Ele é constituído de um baralho de pares de cartas, contendo sinais de Libras, palavras em Português e imagens iconográficas. Esse jogo possibilita o aprendizado de sinais da Libras de forma leve e divertida, viabilizando assim a comunicação entre surdos e ouvintes. O Librário pode ser usado em qualquer jogo que utilize a lógica do pareamento de cartas e outros que a criatividade do professor proponente permitir. Para os participantes das oficinas onde a proposta é uma rodada de jogos, é possível perceber que no primeiro contato com a Libras acontece uma boa fixação dos sinais.

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A utilização do jogo Librário no ensino e na vida ameniza o preconceito, a partir do momento que é possível a aproximação do ouvinte com a língua/cultura dos surdos, onde ele percebe uma outra maneira de se comunicar, que não seja a língua oral-auditiva. Para a introdução da prática do Librário, é apresentado um pouco da história da inclusão dos surdos e da cultura surda através do vídeo: “Uma breve história da educação dos surdos”.

São dois baralhos com vocabulários diferenciados, um de campo semântico generalizado e outro especificamente da Arte. O jogo proporciona o uso de palavras que identificam os meios das Artes Visuais e dos elementos da linguagem e comunicação visual e seus sinais em Libras.

Por natureza a arte é inclusiva e, assim como o canal de comunicação dos surdos, é principalmente visual. O Librário da Arte permite a familiarização dos conceitos das Artes Visuais como área de conhecimento, e trata a imagem como parte da essência da visualidade surda. A oficina do Librário utiliza da leitura de imagens, abordando linguagens como fotografia, pintura, cinema e entre outros, sob uma fundamentação semiótica da imagem. Foi mapeada também a importância da apresentação de um breve panorama de cada linguagem, utilizando de recursos também imagéticos, como slides e projeções. Esses recursos ampliam o repertório de imagens dos alunos e estimulam o interesse dos surdos e ouvintes da escola inclusiva sobre as diferentes linguagens da arte. Nas oficinas do Librário os participantes apresentaram interesse, estímulo e compreensão das imagens com as palavras. Foi identificado o uso de metáforas visuais, que ampliam o vocabulário do surdo, promovem o entendimento de expressões idiomáticas e estimulam o reconhecimento dos surdos aos sinais das expressões, tais como: quebrar o galho, engolir sapo, etc.

Neste projeto, são utilizados métodos do design, devido a sua relevância como fomentador da cultura material, visando analisar soluções para o bem estar social. Antes de tudo, foi necessário compreender e pensar o Design como uma área de ciências sociais aplicáveis. O mundo que vivemos é desenhado por nós e ele nos desenha. Imergir no Design dentro de diferentes realidades sociais e culturais é corroborar com a inclusão. O pluralismo de sentidos reflete a diversidade do nosso contexto social e educacional, e a prática do Librário propõe atividades participativas e ações transformativas dentro dos pensamentos do Design e da Arte.

Através de grupos de estudos, oficinas, trocas de conhecimentos e conceitos entre disciplinas como Português, Artes e Libras, é proposto que surdos e ouvintes trabalhem juntos e compartilhem experiências de vida. Conclui-se que o Librário é uma ferramenta em potencial, que estimula o aprendizado da Libras e promove uma comunicação harmoniosa entre surdos e ouvintes. Enquanto a palavra oral dá rascunho, as imagens rompem o silêncio, criam elos entre surdos e ouvintes e modificam o futuro da sociedade contemporânea, ávida de “sentidos”.

Flávia Neves

Flávia Neves

Flávia Neves é formada em licenciatura em Artes Visuais na UEMG. Trabalhou no museu Inhotim e possui experiência com mediação em arte contemporânea. Acredita que imagens são palavras que nos faltaram e tem a fotografia como forma de colecionar momentos, uma coletânea de referências e inspirações. Hoje, trabalha com Design inclusivo, especificamente no projeto do Librário, o jogo que ensina Libras, a língua visual motora dos surdos. Busca levar os conceitos das artes para sala de aula de maneira lúdica e divertida.

3 comentários em “As palavras que nos faltam

  • 3 de novembro de 2015 a 21:24
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    Viva as boas idéias que tornam o mundo algo mais agradável de ser povoado! Parabéns Flávia!

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  • 28 de novembro de 2015 a 12:17
    Permalink

    Parabéns pela iniciativa sou professora e acho que a língua de sinais tem que estar presente nas escolas desde a educação infantil, possibilitando assim que as crianças surdas sejam realmente incluídas.

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